Apesar da alta do açúcar, usinas evitam fixar valores das vendas

September 20, 2017

 

Embora os preços do açúcar tenham passado a subir nas últimas semanas, as usinas sucroalcooleiras do país ainda estão reticentes em fixar o valor de venda de seu produto à espera de uma disparada – que, de acordo com traders, poderá não acontecer.
Na sexta-feira, os contratos do açúcar demerara com vencimento em outubro (atualmente, o de maior liquidez) fecharam a 14,55 centavos de dólar a libra-peso em Nova York e passaram a acumular uma alta de 10,8% em um mês, sustentada por notícias "altistas" do Brasil – como a mudança das usinas para um mix de produção mais "alcooleiro" – e da Índia, que deve importar mais açúcar.
Mesmo assim, o volume de açúcar vendido pelas usinas brasileiras tem sido baixo, segundo traders. "As usinas ainda estão muito reticentes nesses níveis de preço", afirmou Gabriel Elias, trader da Olam International.
Essa "paradeira" se dá mesmo com preços que oferecem alguma margem de lucro, sobretudo nos contratos que vencem na bolsa ao longo da próxima safra (2018/19). Conforme levantamento de Elias, os preços do açúcar em reais referentes aos contratos de maio, julho e outubro de 2018 estão acima de R$ 1.100 a tonelada (considerando o prêmio de polarização), ante um custo médio de produção que ele estima em R$ 1.000 a tonelada. Ou seja, a margem está em torno de 10%.
Alguns negócios têm aparecido quando os contratos que vencem em outubro ultrapassam a barreira dos 14,20 centavos de dólar a libra-peso na bolsa nova-iorquina, segundo Bruno Lima, analista da consultoria INTL FCStone. Porém, o surgimento dessa oferta no mercado acaba limitando a trajetória de alta das cotações, observou.
Lima acredita que existe a possibilidade de elevação adicional dos preços até o vencimento do contrato, no fim deste mês, se houver impulso dos fundos especulativos, que podem recomprar posições até lá. Ele vê um limite, porém, em torno de 15 centavos de dólar a libra-peso.
Já Elias, da Olam, vê um cenário macro mais "baixista" diante da recuperação da produção na União Europeia e do subsídio do Paquistão para a exportação de seu excedente de 1,5 milhão de toneladas.
Além disso, na sexta-feira, o governo chinês anunciou o escoamento de mais um volume de açúcar de seus estoques reguladores, o que pode exercer pressão sobre as cotações nos próximos dias. Nesta segunda-fera deverão ser ofertadas 200 mil toneladas e, em 28 de setembro, mas 167 mil toneladas.

 

Fonte: Assessoria de Comunicação

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