Dreyfus inicia embarques pelo Tapajós

February 26, 2018

 

 

 

A Louis Dreyfus Company (LDC) deu início nesta semana ao seu maior investimento mundial dos últimos dois anos: o embarque de soja pelo rio Tapajós, o principal eixo do escoamento de grãos no Arco Norte brasileiro. O projeto, que atingirá cifras próximas a R$ 1 bilhão desde a fase de concepção à execução, prevê escoar 1,5 milhão de toneladas de soja e milho nesta primeira safra. A plena capacidade, levará 4,5 milhões de toneladas à China.

 

"Foram quase oito anos de projeto e R$ 1 bilhão de investimentos, o que demonstra não só uma visão de muito longo prazo mas o nosso entendimento de que esse lugar representa uma transformação logística no Brasil", diz Luis Barbieri, diretor para oleaginosas e grãos da LDC no país.

 

As primeiras duas barcaças saíram de Miritituba, distrito de Itaituba, no Pará, carregadas com quase 7 mil toneladas de soja e atracaram no porto de Santarém (PA). Outras duas já deveriam ter carregado ontem, mas as chuvas sem trégua impedem a continuidade das operações. Com isso, o navio Nemo, que embarcaria na próxima quarta-feira, levará mais alguns dias para seguir seu rumo à Ásia.

 

Os atrasos ocorrem porque a Dreyfus já tem a frota de empurradores e barcaças prontas, mais ainda terá de esperar alguns anos até que seus terminais portuários fiquem prontos. Até o ano que vem, a Dreyfus vai utilizar a infraestrutura portuária da Cianport para o transbordo em Miritituba.

 

A trading adquiriu o terreno para construção de seu próprio terminal na região, mas ainda aguarda licença de instalação para dar inicio às obras. A expectativa é que ela obtenha essa licença até julho e inicie as obras no segundo semestre. "Levaríamos 18 meses para construir o terminal e, se nada der errado, iniciaremos as operações em 2020", afirma Barbieri.

 

Em Santarém, a Dreyfus vai operar inicialmente no berço público do porto. A empresa também aguarda as licenças de praxe para construir seu terminal próprio na ilha de Marajó, o que não deve ocorrer antes de 2022.

 

Diferentemente das instalações da Cianport, a Dreyfus, assim como as concorrentes, pretende ter a área de atracagem das barcaças coberta para evitar interrupções de operação em dias de chuva. Isso porque a soja é escoada justamente entre janeiro e abril, o chuvoso verão amazônico.

 

Até o momento, 12 barcaças já estão prontas para realizar o transporte de soja nesta safra. Até abril, serão 64 e, até o fim deste ano, a companhia contará com sete empurradores.

 

Das grandes tradings que operam no Brasil, a Dreyfus foi a última a se posicionar no Arco Norte do país. Bunge, Cargill, Hidrovias do Brasil e Caramuru já usam o rio Tapajós para escoar parte dos grãos que movimentam. A expectativa para atual safra é de movimentar 10 milhões de toneladas de grãos. Já poderia ser um pouco maior não fosse a chuva e os estragos que ela ainda causa na BR-163.

 

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