Agronegócio impulsiona negócios da Rumo

March 26, 2018

 

 

O modelo de negócio da Rumo, a maior ferrovia do Brasil, foi destacado pelo seu presidente, Júlio Fontana Neto, durante o Cosan Day, realizado em 19 de março, na capital paulista. “Desde que começamos os nossos planos, já investimos R$ 6 bilhões e estamos bastante avançados na compra de locomotivas e vagões, sendo que os investimentos em vias e portos devem seguir seu ritmo até 2020, uma vez que precisamos viabilizar essas intervenções para a nossa operação de transporte”, afirmou o executivo, comentando que ainda há mais R$ 2 bilhões para serem investidos este ano, incluindo, neste montante, o investimento que deverá ocorrer na Malha Paulista, a qual a empresa está pleiteando a renovação da concessão por mais 30 anos, aguardando a resolução da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres).

 

“Eu diria que, da nossa parte, nós já entregamos tudo que nos foi solicitado tanto pela agência quanto pelo TCU”, disse Fontana. O engenheiro citou também a disponibilidade da empresa para fazer a extensão de 650 km da ferrovia (Malha Norte –Ferronorte) em Mato Grosso, ligando Rondonópolis a Sorriso. “Nós já solicitamos autorização da agência (ANTT) para fazer essa extensão e nos foram pedidos alguns estudos, que já estão sendo analisados e serão entregues assim que nós tivermos a aprovação da extensão da Malha Paulista”, afirmou.

 

Uma das iniciativas citadas pelo executivo, na ocasião, é a mudança do modelo dos trens, passando aos trens de 120 vagões, ao invés da composição que hoje leva 80 vagões. “Isso tornará a nossa operação ainda muito mais eficiente e significará 50% a mais de carga em cada trem, aumentando a nossa capacidade para servir a demanda reprimida do agronegócio, e também iremos crescer em outras cargas”, afirmou, informando que a companhia já possui 90% das locomotivas necessárias para a nova operação, enquanto 100% dos vagões já atendem a essa condição e 43% dos pátios já estão estruturados para receber essas composições maiores.

 

Outra mudança citada é referente à criação de escala no negócio de contêineres, com a implantação de vagões Double Stack, até o final deste ano, o que possibilitará a economia de combustível, mais capacidade com o mesmo número de trens e mais rentabilidade, visto que cada vagão levará até 80 toneladas, sendo que hoje esse volume chega a 40 toneladas.

 

Fontana ressaltou,também, que o mercado de celulose vem sendo cada vez mais importante para a Rumo, visto que, na área de atuação da ferrovia, estão localizados alguns dos maiores operadores de celulose e papel do país. “No ano passado, o Brasil exportou 13 milhões de toneladas desses produtos e tem perspectivas de crescimento nos próximos anos e já temos aproximadamente 5 milhões de toneladas contratadas por estes clientes”, contou.

 

Outro segmento em destaque é o de fertilizantes, tanto que a Rumo investiu cerca de R$ 200 milhões no Terminal de Fertilizantes, que está sendo instalado no Complexo Intermodal de Rondonópolis-MT, para incrementar o transporte de insumos, mirando atender a 4 milhões de toneladas até 2020. Em fase final de conclusão das obras, com início das atividades agendadopara abril, o terminal tem uma área de 160 mil m², com capacidade estática de 64 mil toneladas no primeiro ano. Além disso, prestará serviços de armazenagem, acondicionamento em big bags e expedição rodoviária de 12 mil toneladas por dia.

 

“O estado do Mato Grosso importou 4,5 milhões de toneladas de fertilizantes, sendo que 80% desse volume chega de caminhões e isso acontece porque não tínhamos uma estrutura que permitisse a utilização da ferrovia para o transporte desse insumo”, afirmou, explicando que o terminal representará mais rentabilidade à ferrovia, visto que 100% dos vagões da Rumo voltam vazios para o Mato Grosso e, a partir do seu funcionamento, poderão voltar com fertilizante.

 

“Demanda não é uma preocupação que a empresa tem; temos muito marketshare a conquistar”, disse Fontana, comentando que a Rumo tem, aproximadamente, 80% de marketshare na região de Rondonópolis-MT e 52% na região central. “Mudamos a cara da Rumo, mas ainda há muito por fazer, a melhor forma de dimensionarmos o tamanho das mudanças e oportunidades”, concluiu.

 

A ferrovia transportou 49,7 bilhões de TKU, em 2017, quantidade 23% maior na comparação com 2016, tendo EBITDA de R$ 2.756,6 milhões, em 2017, representando um crescimento de 36% quando comparado a 2016. Já a alavancagem atingiu 2,6 vezes a dívida líquida abrangente/EBITDA LTM ao final de 2017, em frente a 4,0 vezes no 3T17 e 4,4 vezes ao final de 2016.

 

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