Campanha publicitária acirra embate sobre alta da gasolina

April 6, 2018

 

A discussão sobre quem é o culpado pelo aumento dos preços da gasolina no Brasil para os consumidores chegou à publicidade. A briga, que coloca Petrobras, postos e distribuidoras de um lado e o governo do outro, ganhará novo capítulo com uma campanha publicitária milionária promovida pela Associação Nacional das Distribuidoras de Combustíveis, a Plural (ex-Sindicom). Os comerciais – que serão veiculados a partir desta sexta-feira em TV, mídia impressa, internet e outdoors – vão atribuir a alta dos preços à carga tributária, que representa cerca de 45% do valor total.

A ideia da campanha surgiu em fevereiro, após o governo questionar os motivos de as reduções dos preços feitas pela Petrobras nas refinarias não estarem chegando ao posto. Na ocasião, o governo indicou que iria acionar o órgão de defesa da concorrência, o Cade, e o Ministério Público para investigar se os postos e as distribuidoras estariam praticando cartel.

A Petrobras adotou nova política de preços com revisões quase que diárias em junho de 2017. De lá para cá, entre altas e baixas, o preço da gasolina na bomba subiu 18,3%, segundo a Agência Nacional do Petróleo (ANP). O governo federal ficou preocupado com as críticas e escalou Moreira Franco, ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência, para conversar com o presidente da Petrobras, Pedro Parente.

 

Lá fora, imposto cai quando preço sobe

Segundo Leonardo Gadotti, presidente executivo da Plural, a campanha, pensada em conjunto com os associados, como a BR Distribuidora e a Ipiranga, é uma forma de esclarecimento à população, após o “alvoroço” criado pelo governo. Os comerciais, que serão veiculados por três meses, têm como mote “Preço da gasolina. O problema não é o posto. É o imposto”.

“Em fevereiro, o governo fez um alvoroço falando sobre denúncias de cartel. Os preços não caíram não por uma questão de margem dos postos e, sim, por causa do imposto. A carga tributária é 45% do preço final, seguida de 28% do refino, 13% do etanol anidro e 14% da logística. Quando a Petrobras anuncia redução na refinaria, o valor do imposto não cai”, disse Gadotti.

A campanha faz coro às declarações de Parente. Em fevereiro, ele destacou que o “preço da Petrobras é, em média, menos de um terço do que acontece nas bombas. Então, o problema não é da Petrobras”. Além de Moreira Franco, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, chegou a afirmar que a política de preços da Petrobras seria revista. Álvaro Rodrigues, da Fullpack, agência responsável pela campanha, lembrou que a ideia do comercial, que traz pessoas usando camisas com as palavras “posto” e “imposto”, é ser didático. Na peça, uma das atrizes diz “os ajustes no preço da gasolina não têm sido comunicados de forma adequada”.

“Falta aprofundar esse debate na sociedade”, disse Rodrigues.

Para Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura, a campanha de esclarecimento é bem-vinda. Ele afirmou que, se o país tem preços que acompanham os valores internacionais, é preciso rever a atual política tributária. Em países da Europa e nos EUA, afirmou, há redução de impostos quando os preços sobem muito: “Nos EUA, os impostos já chegaram quase a 50% do preço da gasolina e, hoje, representam cerca de 18%. Na Europa, é da ordem de 30%”.

 

Bruno Rosa e Ramona Ordoñez

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