Venda de refinarias reduz chance de interferência em preço da gasolina, diz Petrobras

April 20, 2018

A venda de participações em refinarias reduz a possibilidade de novos controles de preços dos combustíveis no futuro, defendeu nesta quinta (19) o presidente da Petrobras, Pedro Parente. A empresa apresentou ao mercado o modelo de parcerias no setor, que prevê a privatização de quatro refinarias.

 

No evento desta quinta, convocado às pressas e sem participação de trabalhadores, a estatal recebeu apoio de todos os seus convidados: o Ministério de Minas e Energia, da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis) e representantes das petroleiras, de distribuidoras de combustíveis e do setor de etanol.

 

"O reposicionamento da Petrobras pode gerar novos investimentos no setor de refino", disse o diretor-geral da ANP, Décio Oddone, ressaltando que o país precisa ampliar sua capacidade de produção de transporte de combustíveis para acompanhar projeções de crescimento da demanda.

 

 

A presidente da Unica (União da Indústria de Cana de Açúcar), Elizabeth Farina disse que a preocupação da estatal com a liberdade de preços "aplaca preocupações com investimentos em biocombustíveis".

 

“A proposta destrava investimentos em refino e cria vacina contra possibilidade de intervenção nos preços do petróleo”, reforçou o consultor Plinio Nastari, da Datagro, consultoria que acompanha o mercado de etanol.

Ao lado da promessa de atração de investimentos, a questão dos preços é uma das estratégias usadas pela estatal para tentar quebrar resistências contra a venda dos ativos, que já começa a gerar mobilização entre sindicatos de trabalhadores da empresa.

 

"Para nós, é muito importante que podemos ganhar no curto prazo porque teremos maior segurança da prática de preços competitivos no país", afirmou Parente.

 

A ideia da Petrobras é vender o controle de dois blocos regionais, no Nordeste e no Sul, cada um com duas refinarias, terminais e dutos de movimentação de petróleo e derivados, conforme antecipou a Folha. Parente disse que espera abrir processo competitivo em duas a três semanas e concluir o processo de venda até o fim do ano.

 

Trabalhadores

A operação mexerá com milhares de trabalhadores, que poderão ser transferidos para as novas empresas que serão criadas a partir da unificação dos ativos regionais ou para outras áreas da própria Petrobras. Mas a direção da estatal já sabe que não terá como remanejar todos. Na Transpetro, subsidiária que opera os dutos e terminais, a proposta foi recebida com apreensão.

 

Parente reconheceu que a resistência interna influenciou na decisão de manter participação nas refinarias à venda, ao invés de saída total dos ativos. "Estamos diante de um evento de natureza extremamente relevante e simbólica. Eu diria que uma abordagem com um pouco mais de prudência talvez possa garantir mais o resultado do que uma solução mais ousada", afirmou.

 

Durante o governo Fernando Henrique Cardoso, os trabalhadores conseguiram frear o programa de privatização das refinarias, que terminou com apenas uma operação concluída, de venda de 30% da Refinaria Alberto Pasqualini, no Rio Grande do Sul, à Argentina YPF, em 2000.

 

O negócio foi desfeito oito anos depois, diante da insatisfação da YPF com os sucessivos prejuízos provocados pelo controle de preços. No evento desta quinta, havia representantes de grandes petroleiras mundiais, como a Exxon e a Statoil, mas eles não se manifestaram sobre interesse nos ativos de refino da Petrobras.

 

Em sua apresentação, o presidente do Instituto Brasileiro do Petróleo (IBP), José Firmo, apontou as duas empresas, mais Shell, BP e Total como potenciais interessadas, pois são petroleiras integradas e já operam no país na área de exploração e produção de petróleo.

 

Recorde

Desde o fim da semana passada, os preços da gasolina e do diesel nas refinarias vêm batendo sucessivos recordes, em resposta à disparada das cotações internacionais do petróleo diante de incertezas sobre a guerra na Síria.

 

“Não são os preços da Petrobras que estão nos maiores níveis (desde o início da nova política), são os preços internacionais”, afirmou Parente, em entrevista após a apresentação do modelo de venda das refinarias.

 

Nicola Pamplona

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