Editorial do Estadão: A crise da Embrapa

April 23, 2018

A estatal vive uma deplorável decadência, fruto de desorientação administrativa e estratégica

 

 A agropecuária brasileira alimenta os 214 milhões de habitantes deste país e ainda exporta para mais um sexto da população mundial, ou 1,3 bilhão de pessoas. Nossa estrutura de produção agropecuária hoje é flexível e diversificada, capaz de se articular com mercados distantes e demandas bastante variáveis. Nas últimas décadas, a lavoura se tornou a salvação da economia brasileira. E, na presente crise econômica, o agro foi o único setor a crescer no ano passado (13%), garantindo um suado aumento de 1% do PIB. 

 

Grande parte de tal crescimento deve-se a ganhos de produtividade, resultantes de inovações tecnológicas adaptadas às variadas situações de solo e clima do Brasil. Centenas de milhares de tecnologias foram produzidas, desenvolvidas e testadas nos 44 centros de pesquisa da Embrapa.

 

A Embrapa foi criada em 1973, focada em duas únicas metas: reduzir o preço dos alimentos no mercado nacional e tornar competitivas as exportações de produtos agropecuários. Cumpriu ambos os objetivos e foi muito além, criando uma base tecnológica ajustada à realidade e com viabilidade econômica. Mas, hoje, infelizmente, a estatal vive uma deplorável decadência, fruto de desorientação administrativa e estratégica.

 

Durante os governos petistas, a Embrapa perdeu relevância e protagonismo, em função de numerosos erros de seus dirigentes. Passou a contribuir cada vez menos para a competitividade da agropecuária, respondendo apenas marginalmente pelos resultados alcançados. A maior parte dos mais de R$ 3 bilhões anuais que custa ao Tesouro Nacional é gasta em atividades-meio. A oferta de tecnologia agora vem de empresas privadas. A estatal passou do claro sucesso experimentado em seus primeiros 20 anos para uma situação paulatina de dificuldades, nos últimos 25 anos.

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