Cotação de açúcar em NY caiu em até 2,84% na semana; outubro se aproxima de US$ 0,11/lb

April 23, 2018

As duas pequenas correções técnicas para cima do açúcar na quarta e quinta, que seguraram uma barrigada maior na Bolsa de Nova York (ICE Futures), foram devolvidas nesta sexta (20). Assim, a semana que começou na casa dos 11 centavos de dólar por libra-peso fechou mais magra ainda. Agora, é só uma questão de dias para o contrato de outubro fazer companhia ao maio e julho no mesmo degrau.

 

O maio, que já não é mais o driver, perdeu 11 pontos, e vai para a segunda-feira valendo cUS$ 11,64/lb. Já a tela mais importante, julho, fechou em cUS$ 11,87/lb, com recuo de 8 pontos, e a de outubro perdeu quase a mesma coisa, saindo em cUS$ 12,13/lb.

 

No acumulado da semana de 16 a 20 de abril, segundo o levantamento de André Lopes, economista do Notícias Agrícolas, o contrato de maio perdeu 2,84%, julho 2,47% e outubro 2,33%.

 Internacional

Apesar dos excedentes asiáticos não mexerem mais com os preços, a onda de notícias que chegam da Tailândia e da Índia tira qualquer indício de estabilidade nas cotações. Em relação ao primeiro país, segundo maior exportador mundial, o USDA estima uma produção de açúcar de 13 a 14 milhões de toneladas – recorde que garante excedente exportável, ainda mais com os novos impostos locais sobre bebidas que levam o adoçante.

 

Já na Índia, com suas quase 30 milhões de toneladas já conhecidas – aproximadamente 10 milhões a mais na comparação com o ciclo anterior –, a pressão sobre os preços internacionais recai para a próxima safra. As monções vieram normais este ano e garantem uma boa safra nova, o que deve colocar mais peso baixista nos contratos de Nova York a partir de outubro.

 

Juntos, os dois países devem garantir um superávit de açúcar entre 6 e 7 milhões de toneladas este ano, em uma média tirada entre análises de várias consultorias.

 

Interno

A Job Economia e Planejamento afirmou que o Brasil vai retirar 6,5 milhões do adoçante do mercado mundial – totalizando exportações de 21,3 milhões de toneladas –, mas, certamente, Nova York nem prestou atenção nesse dado, que apenas confirma as estatísticas médias para o Brasil. Esse açúcar também já havia sido precificado pelos operadores, não sendo capaz de segurar as baixas seguidas.

 

No porto de Santos, os prêmios para o VHP estão entre 15% e 16% maiores sobre os dois próximos vencimentos, com leve subida. Isso acontece devido à confirmação de que o etanol terá a preferência das usinas e, portanto, surge a uma diminuição na oferta do produto brasileiro.

 

Com base nos line-ups de embarques e dados levantados por Maurício Muruci, da Safras & Mercado, o país exportou entre 400 e 500 mil toneladas nesta semana, contra de 1,3 milhões de toneladas no mesmo período de 2017. Outro motivo para isso seria a cotação do dólar.

 

A comercialização interna está sem ágio, com a saca na faixa de R$ 54 a R$ 55, conforme o Cepea/Esalq. Isso se deve à demanda das indústrias e atacadistas, que estão formando estoque no início da safra.

 

Por sua vez, o etanol segue com prêmio médio de 23%. As usinas estão vendendo o produto a um valor 20% menor em comparação ao final de março, mas apenas 1% dessa redução chega às bombas.

 

Giovanni Lorenzon

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