Indústria automotiva vai a Temer para pedir por Rota 2030

April 24, 2018

Segue impasse sobre incentivos às montadoras, que falam em investir ‘onde for mais barato’

 

 

Dirigentes das quatro associações ligadas ao setor automotivo se reúnem hoje (24), em Brasília, com o presidente Michel Temer para, mais uma vez, tentar convencer o governo a aprovar o Rota 2030, novo regime automotivo que terá duração de 15 anos.

 

Previsto para entrar em vigor em janeiro, o programa segue pendente em razão da falta de consenso entre o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC) – favorável ao projeto – e a Fazenda – contrária a incentivos às montadoras.

 

Ontem, Temer esteve com Marcos Jorge, titular do MDIC, Ana Paula Vescovi, ministra interina da Fazenda e Jorge Rachid, secretário da Receita Federal, para discutir o programa. Segundo fontes, o impasse não foi superado.

 

O Rota vem sendo discutido desde 2017 e seu objetivo é definir regras para a cadeia automotiva. O impasse está na concessão de incentivo fiscal para montadoras investirem em pesquisa e desenvolvimento.

 

Estarão no encontro os presidente da Anfavea (representa as montadoras), Antonio Megale; do Sindipeças (autopeças), Dan Ioschpe; da Fenabrave (concessionárias), Alarico Assumpção e da Abeifa (importadores), José Luiz Gandini. Outro encontro previsto para hoje, com presidentes de todas as montadoras, foi cancelado, “frustrando as expectativas do setor”, disse Megale, que esperava por uma definição em maio.

 

Megale disse que, em razão do atraso do Rota, “o setor começa a se desorganizar” e há riscos de empresas decidirem “investir onde for mais barato”.

Para o secretário do MDIC, Igor Calvet, o valor em discussão está sendo superestimado por quem o critica. “Para um incentivo de R$ 1,5 bilhão, o programa exige investimentos de R$ 5 bilhões (das empresas). É uma conta superavitária.”

 

No domingo, o ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, reforçou que há dúvidas sobre os custos e vantagens do Rota. Segundo ele, subsídios à indústria custaram bilhões do Tesouro, mas nem por isso o setor escapou da estagnação.

 

André Ítalo Rocha, Cleide Silva e Lu Aiko Otta

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