Usinas da Infinity Bio-Energy são canceladas pela ANP; destino das unidades segue incerto

October 25, 2018

Empresa, que chegou a controlar seis usinas de açúcar e etanol, era gerida por Natalino Bertin, condenado por lavagem de dinheiro na Operação Lava-Jato.

 

Quase um ano após ter dado entrada no processo de cancelamento de 24 usinas de etanol, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) publicou em Diário Oficial que três das quatro unidades do grupo Infinity Bio-Energy não poderão mais comercializar o biocombustível.

 

As usinas canceladas já estavam paradas desde 2013/14 e estão localizadas em Pedro Canário (ES), São Sebastião do Paraíso (MG) e Nanuque (MG). Juntas, elas somavam uma capacidade de produção diária de 1,15 milhão de litros de etanol hidratado e 370 mil litros de etanol anidro.

 

Por sua vez, a usina Disa, em Conceição da Barra (ES), segue com o processo de cancelamento em andamento. A unidade não opera desde a safra 2015/16.

 

Em contrapartida, duas plantas que costumavam pertencer ao grupo já obtiveram autorização definitiva para seguir produzindo, conforme as regras da Resolução ANP nº 26/2012. A Usina Naviraí (Usinavi), em Naviraí (MS), passou para o controle de credores em 2016 e, em janeiro deste ano, a gestora americana de fundos Amerra Capital Management se tornou a única acionista. A mesma empresa controla a Usina Ibirálcool, em Ibirapuã (BA), há dois anos.

 

O grupo Infinity Bio-Energy teve falência decretada em julho de 2017. Até então, a companhia era administrada por Natalino Bertin, que foi condenado por lavagem de dinheiro na Operação Lava-Jato.

 

Venda das unidades

 

Em reportagem publicada pelo Valor Econômico logo após a justiça ter decretado a falência da Infinity Bio-Energy, o juiz Marcelo Barbosa Sacramone, da 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Tribunal de Justiça de São Paulo, explicava que as quatro unidades do grupo deveriam ter sido vendidas. A empresa, entretanto, não fez os procedimentos necessários para as negociações. Naquele momento, a expectativa era que, com a falência, a venda fosse facilitada.

 

De lá para cá, a sentença de falência foi contestada, mas o pedido foi revogado. Em 23 de julho deste ano, uma decisão judicial reforçava que “a sentença de falência subsiste com todos os seus regulares efeitos”. Dessa forma, a análise de possíveis pendências passava a ser responsabilidade da administradora judicial da massa falida, a consultoria Deloitte, que também deveria “praticar os atos necessários à arrecadação e alienação dos ativos”.

 

Até o momento, entretanto, nenhuma unidade foi colocada em leilão e nenhum acordo de venda foi anunciado.

Procurada pela reportagem, a Deloitte afirmou que não comentaria sobre a possibilidade de venda das usinas “por se tratar de um caso isolado de uma empresa”.

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