Petróleo opera em queda forte, com temores de excesso de oferta

Os preços do petróleo caem às mínimas em um ano nesta sexta-feira, 23, em meio a contínuos temores de que o mercado possa estar sofrendo com um excesso de oferta, e que a Organização de Países Exportadores de Petróleo (Opep) tenha apenas poucas opções para investir contra a esperada expansão no suprimento vindo dos Estados Unidos.

 

Às 10h04 (de Brasília), o barril do WTI para janeiro de 2019 tinha baixa de 4,21%, a US$ 52,33, na New York Mercantile Exchange (Nymex), enquanto o Brent par igual mês caía 2,51%, a US$ 61,03 o barril, na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres. No início da tarde, a commodity caía mais de 6%, uma queda de cerca de 20% no acumulado do mês.

 

"Mais uma vez, a Opep está presa entre uma rocha e um lugar duro, com seus esforços para tomar as rédeas do suprimento global se tornando um tiro que sai pela culatra", comentam analistas da JBC Energy.

 

Se a Opep mantiver o atual nível de oferta, o excesso de petróleo pesaria sobre preços e tiraria cerca de 500 mil barris por dia da produção americana no ano que vem, dizem os analistas.

 

No entanto, se o cartel cortar sua produção em 2019 em cerca de 1,3 milhão de barris por dia e mantiver a oferta nesse mesmo nível em 2020, a produção dos EUA pode subir em cerca de 1 milhão de barris por dia em 2019 e 2020.

 

Investidores também estão céticos de que possa haver muito apoio ao mercado pela Opep e seus aliados externos, que terão reunião em 6 de dezembro para discutir potenciais cortes de produção.

 

"É improvável que a reunião iminente da Opep em Viena ofereça apoio em massa desta vez por causa da situação perturbadora dentro e no entorno da Arábia Saudita", opina Eugen Weinberg, chefe de pesquisa de commodities do Commerzbank.

 

Especialistas veem os desdobramentos do assassinato do jornalista saudita dissidente Jamal Khashoggi como um fator complicador que comprometeu a capacidade do reino de influenciar demais produtores de petróleo.

 

Hoje, ainda como fruto do feriado do Dia de Ação de Graças celebrado nesta quinta-feira, 22, nos EUA, os mercados de energia no país fecharão mais cedo, às 15h45.

 

ANP vê chance para antecipar fim de subsídio ao diesel

Também nesta sexta-feira, o diretor-geral da agência reguladora ANP, Décio Odonne, afirmou que a queda acentuada dos preços do petróleo e do diesel no cenário internacional criam uma nova oportunidade para antecipar o fim do programa de subsídio do governo federal. Isso poderia acontecer já na virada de novembro para dezembro.

 

Atualmente, o subsídio já foi praticamente zerado na maior parte do país, segundo Oddone, devido a regras do programa que calculam a subvenção diariamente, de acordo com preços externos. Apenas nas regiões Norte e Nordeste permanecem alguns centavos por litro de subsídios.

 

Odonne ressaltou que, entre outubro e novembro, a oportunidade chegou a ser discutida no governo, mas no fim prevaleceu o entendimento na Casa Civil de que o subsídio deveria terminar conforme estabelecido inicialmente pelo programa, em 31 de dezembro.

 

"Acredito que é uma oportunidade muito boa para que a gente aproveite este momento, mas essa decisão não é nossa, é do governo", disse Oddone, a jornalistas, após participar do Prêmio ANP de Inovação Tecnológica 2018.

 

O programa de subvenção ao diesel foi criado em junho, em resposta a uma greve histórica dos caminhoneiros contra os altos preços dos combustíveis.

Com a antecipação do fim do programa, Oddone acredita que seja possível evitar um risco do programa terminar no fim do ano de forma brusca, caso os preços externos não mantenham sua trajetória de queda.

 

"Todo mundo está ciente da situação, esse é um assunto que a gente vem acompanhando, vem alertando os agentes envolvidos, todo dia, porque publicamos os preços todos os dias", disse o diretor-geral.

 

Empresas como a Petrobras que aderiram ao plano precisam praticar preços estipulados pelo governo e são ressarcidas em até 30 centavos por litro, dependendo do cenário de preços externos.

 

Com a queda dos valores no exterior, já não faz sentido neste momento manter o programa de subvenção ao preço do diesel, reiterou o consultor Eduardo Oliveira de Melo, da Raion, especializada em combustíveis.

 

Em relatório nesta sexta-feira, Melo afirmou que o valor de referência do combustível fóssil já apresenta neste mês redução de 0,2732 real por litro, bem próximo ao subsídio de 30 centavos que o governo se dispôs a oferecer até o fim do ano.

 

"Hoje o preço do diesel teria potencial de redução nos patamares do valor do subsídio, permitindo zerar o programa e manter os preços atualmente praticados nas refinarias", resumiu ele.

 

De outro modo, haveria o risco de o preço do diesel subir após o fim do programa em 30 centavos, comentou Melo.

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