Goiás pode estar prestes a se tornar polo na produção do etanol de milho

June 27, 2019

Um dos maiores produtores nacionais de etanol de cana-de-açúcar, Goiás deve se tornar também polo na produção do combustível derivado do milho. Para isto, estão previstos dois investimentos grandes no Estado: da usina São Martinho, de R$ 350 milhões em Quirinópolis, e da VMG Bioenergia e Agronegócio, de R$ 550 milhões em Jataí.

Assim, apenas estes dois investimentos somarão quase R$ 1 bilhão. Falta ainda o governo estadual oficializar a concessão dos incentivos fiscais para as empresas.

A São Matinho S.A. assinou protocolo de intenção para construir uma nova planta ao lado da sua usina Boa Vista, em Quirinópolis, com capacidade de produção anual de até 200 milhões de litros de etanol hidratado. O investimento, de R$ 350 milhões, contempla instalações industriais, armazenagem e capital de giro.

A empresa afirma, entretanto, que a assinatura do protocolo de investimentos com o Estado não significa a confirmação do investimento. Ele apenas formaliza a intenção da São Martinho em ampliar suas atividades em Goiás, que estão atreladas a alguns compromissos do Estado e do município, como a concessão dos benefícios fiscais.

Por sua vez, a alta produção de milho em Goiás foi o que chamou atenção da VMG Bioenergia e Agronegócio para investir R$ 550 milhões em uma nova usina de etanol em Jataí. A empresa já possui uma unidade de produção de óleo de milho e de bioenergia. “Isso nos motivou a trabalhar com o etanol de milho, que vem sendo bem promissor”, diz o diretor do grupo empresarial, Emerson de Oliveira.

A VMG já produz dois tipos de etanol de milho: um para a uso de veículos automotores e outro específico para indústrias de cosméticos, farmacêuticas, bebidas finas, álcool gel, entre outros usos.

Potencial para o etanol de milho

O Brasil é o maior consumidor de etanol do mundo, depois dos Estados Unidos. A produção do combustível com o processamento do milho no Brasil é crescente e tem ganhado espaço ao lado do etanol de cana. Ambas atendem demandas de todo o País, com o volume de etanol de milho devendo ultrapassar a marca de 1 bilhão de litros nesta temporada.

Com relação à qualidade para o consumidor, não há diferença entre etanol produzido a partir de milho ou de cana-de-açúcar. As diferenças estão ligadas aos custos e ao tempo de produção, que variam em cada cultura.

“Não temos nenhuma preocupação com relação à produção de etanol a partir do milho, uma vez que deve atender as mesmas especificações do etanol de cana, seja para carburantes ou outros destinos. O que não pode haver é política de incentivo diferente em detrimento de outro”, disse o diretor da União da Indústria de Cana-de-Açúcar, Antonio de Padua Rodrigues. “Os dois vão conviver naturalmente, ajudando o Brasil a diminuir importação de gasolina”, frisou.

Por sua vez, o presidente da União Nacional do Etanol de Milho (Unem), Ricardo Tomczyk, diz que, com a expansão da produção do biocombustível de milho, será possível atender parte da demanda por etanol, mas não a totalidade. Ele leva em consideração as previsões que indicam uma demanda adicional de mais 20 milhões de litros nos próximos 10 anos e implica que será necessário também um crescimento do setor de cana-de-açúcar.

Assim, a produção de etanol a partir do milho é competitiva, mas não deve substituir a cana, sendo apenas mais uma opção no mercado brasileiro. Inclusive, alguns dos produtores de etanol de cana podem utilizar a mesma estrutura para produzir a partir de cana ou milho – que são as chamadas flex. Entretanto, é preciso fazer algumas adaptações.

Conforme Tomczyk, apesar das características similares e da facilidade de produção em usinas flex, a logística ainda é um gargalo para o etanol produzido no Centro-Oeste. De qualquer modo, para o produtor de grãos, o biocombustível representará uma maior diversificação de receitas, reduzindo riscos e contribuindo para a diversificação da economia do Centro-Oeste e a produção de grãos na região, superavitária na de milho.

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