Na Câmara, Raul Henry acusa Bolsonaro de usar etanol para agradar Trump

September 12, 2019

O deputado federal Raul Henry (MDB-PE) subiu à tribuna da Câmara dos Deputados, na tarde desta quarta (11), para protestar contra a decisão do Governo Federal de autorizar a importação de 750 milhões de litros de etanol americano sem tarifa e “despejá-los” no Nordeste, exatamente no período da safra da região, cuja produção é de 2,2 bilhões de litros.

 

“A importação autorizada representa mais de um terço da nossa produção anual”, afirmou.

 

Henry destacou o desenvolvimento da indústria sucroenergética nordestina, a despeito das adversidades geográficas e climáticas. Atualmente, a região conta com 60 usinas e 300 mil empregos diretos.

 

“Empregos vitais para o mínimo de estabilidade socioeconômica da densamente povoada e socialmente vulnerável zona-da-mata nordestina. Não é justo, nem correto, que, diante de tantas adversidades, o Governo Federal queira impor ainda maiores sacrifícios ao povo do Nordeste”, afirmou.

 

De acordo com o deputado, a decisão terá um custo de renúncia fiscal de 270 milhões de reais, mesmo ciente de que o Brasil é autossuficiente em etanol e que o país vive a maior crise fiscal da sua história.

 

“O único objetivo é apenas agradar ao presidente americano Donald Trump, que está com excedente de produção depois da insana guerra comercial com a China. Uma articulação feita pelo filho do Presidente que quer ser embaixador e que atropelou o Itamaraty e o Ministério da Agricultura”, alertou.

 

Com o objetivo de reverter a situação, o parlamentar fez um apelo ao presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), para colocar em votação o mérito de um decreto legislativo, apresentado ontem (10), neste sentido.

 

“Esse decreto vai barrar essa insanidade e reestabelecer um mínimo de altivez ao nosso país. Não aceitamos mais atitudes de insensibilidade e preconceito contra a economia e o povo do Nordeste”, afirmou.

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