Biosul espera etanol mais competitivo em MS com nova alíquota de ICMS

November 11, 2019

Associação de destilarias destaca que outros fatores também influenciam no preço final, mas espera que combustível fique atrativo para consumidores

 

A redução de 25% para 20% na alíquota de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre o etanol, e o aumento de 25% para 30% no da gasolina, devem ajudar a solucionar um dos problemas que tornam o biocombustível pouco atrativo para os consumidores de Mato Grosso do Sul.

Os novos percentuais, a serem aplicados em breve pelo governo estadual, também estão sob análise da Associação dos Produtores de Bioenergia de Mato Grosso do Sul (Biosul). A entidade acredita que na perspectiva de que a medida resolverá a relação entre os preços dos dois combustíveis, tornando o etanol mais competitivo.

Os efeitos práticos da medida, porém, seguem em estudo dentro da entidade que congrega os produtores de álcool e açúcar do Estado, conforme relatou o seu presidente, Roberto Hollanda Filho. “Ainda estamos finalizando as contas, mas acreditamos que, pelo feito, chegaremos perto da competitividade”, destacou ele. A Biosul lembra que em 2018, em meio à greve dos caminhoneiros, o etanol voltou a ter uma grande procura por parte de motoristas.

Entusiasta do combustível produzido pelas destilarias do Estado, Hollanda Filho destaca vantagens que estudos apontam sobre o uso do etanol na comparação com os combustíveis fósseis. Da “limpeza” em componentes no motor até a anulação de poluentes no cálculo entre o etanol queimado e o impacto das plantações ao ecossistema, ele explica que a “paridade” também foi alvo de alterações a partir de mudanças na gasolina nas bombas à evolução dos veículos.

 

Por convenção, estabeleceu-se que o etanol é mais vantajoso para o consumidor quando seu preço equivale a até 70% do valor cobrado pela gasolina (nessa conta, com a gasolina a R$ 4,031 em Campo Grande, conforme o último preço médio calculado pela Agência Nacional do Petróleo, o combustível deveria custar no máximo R$ 2,8217, mas hoje tem preço médio de R$ 3,316).

 

O cálculo se difundiu há quase 20 anos, quando os carros flex – que usam os dois combustíveis – chegaram ao país. Naquele momento, porém, a mistura de etanol na gasolina chegava a 22% e, atualmente, o percentual chega a 27%. Além disso, defende-se que a evolução dos motores também passou a aproveitar melhor o combustível brasileiro.

Com isso, o setor sucroalcooleiro defende que a relação de preços entre gasolina e etanol pode chegar a 75% (R$ 3,023 para o etanol, ainda considerando os valores mais recentes da ANP), tornando o segundo mais competitivo de acordo com o ano de fabricação do veículo.

 

Contudo, Hollanda Filho é objetivo ao afirmar que o ingrediente tributário é determinante na composição do preço final. “Reduzindo o imposto, a paridade chega mais perto. É uma medida positiva, mas ainda estamos avaliando seu impacto”, destacou.

 
Consumidor

O dirigente da Biosul também afastou possibilidades de desabastecimento em caso de aumento da demanda. Segundo ele, a produção estadual chega a superar em dez vezes o consumo em Mato Grosso do Sul. Da mesma forma, ele negou que o impacto no custo se deva ao combustível sair do Estado e depois voltar.

“Temos distribuidoras instaladas, com bases em Dourados e Campo Grande. Então, do mesmo jeito, pode chegar alguém de São Paulo e colocar etanol aqui. O mercado é livre”, pontuou, destacando este aspecto à demanda pelo biocombustível e a necessidade de se olhar toda a cadeia produtiva antes de apontar o novo preço do etanol.

“A Biosul é responsável por parte da cadeia. Há fatores como impostos, distribuidores, se vai haver mais oferta ou menos oferta. Mas é fato que, entre os Estados produtores, consumimos pouco etanol”, disse Hollanda Filho.

Quinto maior produtor de cana-de-açúcar do país (com 40,3 milhões de toneladas até 15 de outubro), Mato Grosso do Sul é o terceiro maior fabricante de etanol (2,82 milhões de metros cúbicos) e o quinto de açúcar (691 mil toneladas).

Por fim, o presidente da entidade afirma que a Biosul também avalia se pretende compilar tais informações em uma campanha de conscientização dos consumidores – que, na prática, perceberão se o etanol compensa ou não quando olharem os preços nas bombas.

 

Dados do governo de Mato Grosso do Sul apontam que o consumo de etanol, que já representou 30% do abastecimento de veículos, hoje não passa de 12%. Isso porque a própria administração estadual admite que a proporção do preço do biocombustível é de 78% na comparação com a gasolina. A expectativa é de que, com as mudanças tributárias, essa razão caia para 68%.

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