Odebrecht e Atvos irão adiar assembleias de credores para março

January 28, 2020

 

Reuniões estavam marcadas para hoje e amanhã. Objetivo da construtora era aprovar recuperação ainda em 2019

 

A Odebrecht pedirá nesta quarta-feira (29) o adiamento de sua assembleia de credores para março. A reunião da Atvos – subsidiária do grupo focada em etanol e açúcar –, marcada para a tarde desta terça-feira, já foi postergada para 27 de março.

 

Para a holding, ainda muitas divergências entre credores e a empresa, o que impede a aprovação de um acordo. Mas a expectativa é que os maiores credores da construtora aceitem o adiamento.

 

Em entrevista ao Valor Econômico, o advogado da Atvos, Eduardo Munhoz, afirmou que a sucroenergética está negociando mudanças no plano de recuperação, especialmente em percentuais de desconto, condições de pagamento e títulos de dívida.

 

A princípio, a empresa se comprometeu a apresentar uma nova versão do plano de recuperação com uma semana de antecedência. "Talvez seja antes do Carnaval. Se não for possível, será apresentado uma semana antes da assembleia", disse.

 

Porém, credores como a Caixa Econômica Federal e a Planner – que representa os fundos Castlelake e Lone Star –, argumentam que o prazo é pequeno. A Caixa pede 60 dias de antecedência, enquanto a Planner solicitou a protocolação até 3 de março.

 

Com o adiamento, a Odebrecht fica mais ainda mais distante do objetivo inicial da empresa que, ao entrar com a maior recuperação judicial da história do país, de R$ 98,5 bilhões, esperava ter o plano aprovado ainda em 2019.

 

O documento apresentado, contudo, sempre foi considerado genérico: não estabelecia quais ativos seriam vendidos, não criava parâmetros mínimos de pagamento e nem de prazo. Ele apenas estabelecia que todo o lucro da empresa, após um desconto do custeio da holding, seria utilizado para pagar as dívidas do grupo.

 

O plano, assim, desagradou parte dos credores, em especial os bancos públicos, que não contam com papéis da Braskem como garantias. A Caixa chegou a pedir a transformação da recuperação judicial em falência, o que foi negado pela justiça paulista.

 

Em dezembro, quando estavam previstas as assembleias iniciais, o ambiente na empresa piorou com um novo capítulo da “guerra” entre Marcelo Odebrecht e seu pai. O filho, que passou anos preso por causa da Operação Lava-Jato, acabou demitido da empresa por justa-causa.

 

Henrique Gomes Batista e João Sorima Neto
Com informações adicionais do Valor Econômico; edição novaCana.com

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